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Colegas e o Herdeiro: afeto e humor atenuam falhas

Colegas e o Herdeiro

Colegas e o Herdeiro, escrito e dirigido por Marcelo Galvão (A Despedida), dá sequência ao aclamado longa-metragem brasileiro Colegas, de 2012, que se projetou internacionalmente e conquistou prêmios expressivos no Festival de Gramado, incluindo os de Melhor Filme e Melhor Direção de Arte.

A nova produção retoma uma das obras pioneiras na representação e no protagonismo de pessoas com Síndrome de Down no cinema nacional, acompanhando o amadurecimento e a evolução de seus personagens ao longo dos anos.

Sinopse

Após a morte de um hoteleiro em Punta del Este, no Uruguai, uma inesperada disputa de herança se inicia. Stalone (Ariel Goldenberg) acredita ser o legítimo herdeiro da propriedade. No entanto, no caminho de Stalone surge Magrelo, um jovem autista que foi adotado e criado como filho pelo proprietário falecido.

Sem esperar pela leitura oficial do testamento, Stalone decide reunir seus amigos do Instituto Santa Lúcia para passarem uma temporada de férias no hotel. O grupo, então, embarca em uma nova aventura na estrada a caminho do país vizinho, onde enfrentará disputas e imprevistos na jornada.

O Dilema Crítico

Avaliar uma obra cujo propósito social é inquestionavelmente nobre impõe um dilema evidente, pois a legitimidade de sua causa de inclusão não elimina a necessidade de uma análise crítica sobre o resultado final.

Quando observado de maneira independente e sem a exigência de uma comparação direta com o longa-metragem de 2012, o filme revela fragilidades estruturais e uma condução excessivamente ingênua. Essa limitação no desenvolvimento da narrativa e de suas cenas acaba por comprometer o ritmo e a consistência da produção, resultando em um trabalho fraco do ponto de vista cinematográfico, ainda que amparado por intenções genuínas e afetuosas.

A Nova Geração

A narrativa opera uma clara transição ao reposicionar o trio original formado por Ariel Goldenberg (Stalone), Breno Viola (Marcio) e Rita Pokk (Aninha) em papéis coadjuvantes, conferindo o protagonismo a um novo grupo de jovens atores com síndrome de Down.

Essa mudança de foco permite que a nova geração assuma a condução da jornada, trazendo novas passagens de leveza ao andamento da história. É justamente na interação desses novos personagens que surgem os momentos mais bem-sucedidos de comédia, impulsionados pela espontaneidade do elenco e pela simplicidade do humor apresentado em cena.

O Conflito de Magrelo

A expansão do escopo de inclusão se reflete na introdução de Magrelo (Henrique Fernandes), personagem que traz a representatividade do espectro autista para o centro do conflito.

Inicialmente posicionado como o opositor na disputa pela herança, ele se revela, na verdade, a figura mais prejudicada pelas circunstâncias, uma vez que a busca do grupo principal por autonomia acaba atropelando os direitos legítimos de quem já ocupava aquele espaço. Ainda assim, o personagem transita com equilíbrio entre a gravidade de sua situação e a leveza do roteiro, protagonizando momentos cômicos eficientes ao longo da trama.

Aspectos de Produção

No plano da produção, o projeto presta uma respeitosa homenagem nos minutos iniciais ao produtor executivo Marçal Souza, falecido antes do início das filmagens.

Para além dessa reverência, a obra aposta em uma estrutura de deslocamento de São Paulo a Punta del Este, no Uruguai, buscando conferir maior amplitude à narrativa por meio da dinâmica de road movie.

A condução da história conta ainda com o suporte de nomes conhecidos do audiovisual brasileiro, como:

  • Fafy Siqueira (A Sogra Perfeita 2)

  • Amélia Bittencourt (Chega de Saudade)

  • Deto Montenegro (Rinha: O Filme)

As participações pontuais desses atores ajudam a dar sustentação às cenas ao lado do elenco principal.

Conclusão

Colegas e o Herdeiro encerra sua jornada com uma resolução reconfortante, na qual os conflitos são solucionados e o clima de celebração prevalece.

Ainda que o roteiro apresente limitações narrativas ao longo do percurso, a reta final se apoia no afeto e no calor humano para conduzir os personagens a um desfecho harmonioso. É esse tom genuíno, distante de qualquer cinismo, que acaba atenuando as falhas da condução e garantindo um encerramento amigável para a produção.

Informação de Estreia: Colegas e o Herdeiro estreia nos cinemas em 13 de junho.

Pôster de Colegas e o Herdeiro

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