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Dolly – A Boneca Maldita: já é um dos filmes mais fracos do ano

Dolly – A Boneca Maldita é um novo lançamento de terror que chega aos cinemas em breve e que se apresenta como um desdobramento direto do curta-metragem Babygirl, lançado em 2022 pelo diretor Rod Blackhurst. A produção estabelece um diálogo com vertentes do horror extremo, a exemplo do movimento New French Extremity e de clássicos como O Massacre da Serra Elétrica (1974), baseando sua proposta no uso recorrente de violência gráfica e em locais marcados pelo confinamento. Sob a condução de Blackhurst, o projeto prioriza uma ambientação degradada para compor sua narrativa, se situando dentro de um subgênero que enfatiza o choque visual e o desconforto em espaços isolados.

Sinopse

Macy (Fabianne Therese) e seu namorado Chase (Seann William Scott) partem em uma trilha por uma floresta remota, onde ele planeja pedi-la em casamento. No entanto, o momento romântico é interrompido quando eles cruzam o caminho de Dolly (Max the Impaler), uma mulher imponente e instável que vive isolada em uma residência repleta de bonecas em decomposição. Após ser capturada, Macy é mantida em cativeiro e forçada a assumir o papel de uma criança em um jogo perverso de ‘família’, enquanto Chase, mesmo ferido, precisa lutar contra o tempo e o ambiente hostil para encontrá-la antes que o delírio da vilã se torne permanente.

Dinâmica de terror e antagonismo

O desenvolvimento da trama se concentra na lógica do subgênero slasher, no qual a ameaça central é uma figura humana caracterizada como uma boneca. A presença física de Max the Impaler, que dá vida à personagem-título, aliada ao uso de uma máscara de porcelana, estabelece uma sensação de mal-estar imediato no espectador. Entretanto, essa reação inicial não se sustenta ao longo da projeção, permanecendo restrita à impressão visual provocada pela aparência da oponente, sem que o roteiro consiga aprofundar a tensão para além dessa imagem que impressiona inicialmente.

Aspectos técnicos e roteiro

A única coisa que posso falar bem dele é sobre a fotografia com o uso do Super 16mm, que recupera a textura e o grão característicos das produções de baixo orçamento da década de 1970. Embora essa escolha técnica confira um aspecto visual diferenciado ao longa-metragem, o recurso parece atuar mais como um artifício para tentar compensar a ausência de conteúdo substancial do que como um elemento que realmente fortaleça o enredo. Essa lacuna é acentuada pelo minimalismo do roteiro, que opta pela quase total ausência de diálogos. Embora tal decisão possa ser interpretada como um direcionamento artístico, o resultado final revela uma estrutura dramática frágil, que falha em tornar o desenrolar dos fatos interessante para quem assiste.

Análise do elenco

No que diz respeito ao elenco, a participação de Seann William Scott (American Pie) evidencia uma tentativa de distanciamento de seus papéis habituais na comédia em favor de uma atuação mais física e dramática. No entanto, a presença do ator em um projeto de baixo custo e qualidade questionável levanta dúvidas sobre os rumos atuais de sua trajetória profissional, sugerindo um momento de escolhas pouco produtivas para sua carreira. Em contrapartida, a atuação silenciosa da lutadora Max the Impaler utiliza a robustez física para gerar um incômodo genuíno. Nesse caso específico, a ausência de um desenvolvimento detalhado para a antagonista acaba sendo benéfica, uma vez que o desconhecimento sobre suas motivações preserva a estranheza que a personagem projeta em cena.

Produção e ambientação

A obra, co-produzida e distribuída pela Shudder em parceria com a Independent Film Company, segue o padrão característico do selo ao apostar em um estilo que flerta com o cinema de baixo orçamento e o experimentalismo. No entanto, essa abordagem muitas vezes resulta em um material que parece negligenciar o acabamento em favor de uma proposta que não consegue manter o envolvimento do público.

No aspecto da ambientação, o uso de locações reais nas florestas do Tennessee e o aproveitamento de uma fábrica de perfumes abandonada conseguem estabelecer um contexto degradado e insalubre. Embora esses espaços cumpram a função de criar uma atmosfera suja e de abandono, o conjunto do trabalho acaba restrito a um nicho muito específico que aprecia o formato, sem oferecer elementos que atraiam um espectador fora desse círculo.

Conclusão

Dolly – A Boneca Maldita já se encontra como uma das produções mais fracas do ano, falhando em sua tentativa de entregar um entretenimento minimamente envolvente. Embora exista um esforço técnico visível em sua captação de imagens, o resultado final é uma experiência cansativa que não consegue prender a atenção do público. O filme se limita a repetir fórmulas de perseguição e violência sem oferecer elementos originais, prejudicado por personagens cujas ações carecem de lógica e que são apresentados de forma simplista. Ao fim, o que poderia ser um exemplar robusto de suspense se revela apenas um projeto que não justifica o tempo investido pelo espectador.

Dolly – A Boneca Maldita estreia nos cinemas em 07 de maio.

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