Medley é um longa-metragem brasileiro de drama centrado no amadurecimento juvenil, dirigido pela cineasta Ana Luiza Azevedo e estrelado por Mel Maia no papel da protagonista Lola. Adaptado do livro Medley ou os Dias em que Aprendi a Voar por sua própria autora, Keka Reis, que também assina o roteiro da produção, o projeto integrou a seleção oficial da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. A trama utiliza o ambiente da natação para examinar a complexidade das relações familiares e os processos de superação de traumas emocionais ao longo da juventude.
Sinopse
Aos 16 anos, Lola (Mel Maia) é uma promissora atleta da natação com um futuro brilhante nas piscinas. No entanto, por trás das medalhas e do rigor dos treinos, ela carrega um bloqueio emocional que se manifesta de forma física: a incapacidade de nadar o estilo borboleta, limitação diretamente ligada ao trauma do misterioso desaparecimento de seu pai e ao silêncio imposto por sua mãe sobre o assunto. Após uma desavença familiar, Lola decide se afastar de sua rotina e viaja para a cidade de Salto Bonito. Longe de seu ambiente habitual, o novo convívio e a busca pela verdade sobre seu passado transformam a viagem em uma jornada de autodescoberta, necessária para que ela enfrente os fantasmas da infância e consiga seguir em frente no esporte e na vida.
Relações Familiares
A construção da maturidade na juventude surge atrelada à necessidade de romper com o silêncio e enfrentar os segredos do núcleo familiar. Ao tentar proteger a filha das dores do passado, a mãe acaba impondo uma barreira invisível que limita o desenvolvimento da jovem, demonstrando que a omissão de fatos dolorosos costuma gerar lacunas difíceis de preencher. A narrativa reforça que o acesso à verdade, mesmo quando incômodo, é a única via possível para o amadurecimento e a libertação emocional. É no afastamento temporário do ambiente doméstico, durante a permanência na cidade de Salto Bonito, que a protagonista encontra o espaço necessário para sair da sombra da proteção materna, encarar a ausência do pai e começar a construir a própria autonomia.
Abordagem Esportiva
O bloqueio esportivo associado à natação atua principalmente como um símbolo inicial das travas emocionais da protagonista, embora a superação prática dessa dificuldade técnica acabe não recebendo pleno desenvolvimento ao longo da narrativa. Apresentada no início como o grande obstáculo físico da jovem, a incapacidade de executar o estilo borboleta deixa de lado um arco tradicional de superação na modalidade para focar em aspectos subjetivos. Desse modo, a ausência de uma resolução prática na piscina não prejudica a história, já que o foco recai sobre a contemplação do amadurecimento e da aceitação da personagem diante desse problema.
Atuações e Direção
A sustentação do longa se baseia em uma condução equilibrada e em interpretações ajustadas à proposta do roteiro. No papel principal, Mel Maia (Avenida Brasil) entrega um trabalho correto e eficiente, apresentando uma atuação contida que atende às exigências do drama sem recorrer a excessos expressivos. Essa sobriedade no retrato da juventude reflete a condução atenta da direção de Ana Luiza Azevedo (Aos Olhos de Ernesto), que aborda os dilemas adolescentes com maturidade e sem soluções simplistas. Somado a isso, o trabalho de reconstituição do início da década de 1990 surge de forma discreta e harmoniosa, integrando o contexto cultural da época ao universo dos personagens sem desviar a atenção do conflito central.
Ritmo e Estrutura
Apesar de recusar desfechos fáceis e superações milagrosas de traumas complexos, a narrativa padece de uma condução excessivamente moderada. A opção por manter um tom contido ao longo de todo o desenvolvimento faz com que o filme assuma um ritmo morno, sem alcançar grandes picos de tensão dramática. Além disso, a estrutura do roteiro se apoia em caminhos previsíveis e bem conhecidos das histórias de amadurecimento. Ainda assim, mesmo sem introduzir novidades na forma ou na condução do gênero, a produção cumpre sua função ao entregar um retrato honesto sobre as transformações da juventude e a aceitação do próprio passado.
Conclusão
Medley entrega uma narrativa sensível e honesta sobre o impacto do silêncio nas relações familiares e a busca pela própria identidade na juventude. Embora adote uma estrutura tradicional e um ritmo contido que atenua os conflitos dramáticos, o longa-metragem se destaca ao rejeitar caminhos fáceis e ao valorizar o tempo necessário para o amadurecimento real de seus personagens. Com atuações equilibradas e uma condução sóbria, a produção cumpre com eficiência o seu papel ao mostrar que o verdadeiro avanço pessoal não depende de grandes conquistas externas, mas da coragem de compreender e aceitar a própria história.
Medley estreia nos cinemas em 29 de outubro.

