MOANA
Moana é a adaptação em live-action do longa animado lançado pela Disney em 2016, com direção de Thomas Kail, conhecido por seu trabalho no musical Hamilton.
A produção traz a jovem atriz Catherine Lagaʻaia (As Flores Perdidas de Alice Hart) no protagonismo e conta com o retorno de Dwayne Johnson (Adão Negro) na pele do semideus Maui.
A trilha sonora original também ganha continuidade com a assinatura dos compositores Lin-Manuel Miranda e Mark Mancina. O projeto reúne uma equipe talentosa para dar uma nova dimensão física e musical à história de coragem e tradição da jovem navegadora.
Sinopse
Nesta recriação em live-action da aclamada aventura animada indicada ao Oscar, Moana (Catherine Lagaʻaia) atende ao chamado do Oceano e, pela primeira vez, navega além dos corais de sua ilha natal, Motunui.
Ao lado do lendário semideus Maui (Dwayne Johnson), ela embarca em uma jornada inesquecível para restaurar a prosperidade de seu povo.
Enfrentando os perigos do mar aberto e criaturas ancestrais, a jovem precisará descobrir sua verdadeira vocação como navegadora para salvar seu lar.
Direção e Adaptação
A condução do projeto reflete a experiência do diretor Thomas Kail no teatro musical, visível no cuidado com a movimentação em cena durante as sequências cantadas. Contudo, essa transição para o cinema encontra limites na tentativa de reproduzir com exatidão os enquadramentos da animação lançada em 2016.
A opção por seguir de maneira rigorosa o texto original de Jared Bush resulta em um filme correto do ponto de vista do entretenimento, mas que se revela desprovido de identidade própria.
A proximidade temporal entre o lançamento das duas versões acaba por ressaltar a falta de um propósito artístico inédito, fazendo com que o resultado final dependa da comparação constante com o título anterior para justificar a sua existência.
Desempenho do Elenco
No aspecto da atuação, o elenco de apoio traz legitimidade cultural ao longa, com Catherine Lagaʻaia no papel central acompanhada por John Tui (Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw), Frankie Adams (Máquinas Mortais) e Rena Owen (The Orville) na composição do núcleo familiar.
Dwayne Johnson busca homenagear as origens de seu avô, o chefe tribal Peter Maivia, por meio do porte físico e das marcações corporais do personagem Maui. No entanto, o ritmo cômico demonstrado pelo ator em cena não atinge a mesma fluidez da dublagem original, resultando em uma composição física por vezes travada, ainda que a caracterização visual cumpra o seu papel.
Por sua vez, a presença de Jemaine Clement (O que Fazemos nas Sombras) como a voz do vilão Tamatoa consegue resgatar com eficiência o humor excêntrico que marcava o personagem na animação.
Aspectos Visuais e CGI
O trabalho de produção demonstra um cuidado marcante no uso de elementos reais, exemplificado na construção artesanal de uma vila inteira com técnicas tradicionais da ilha e na confecção manual de dezenas de réplicas do amuleto principal.
No entanto, esse esforço prático entra em conflito com o uso ostensivo de cenários virtuais e efeitos de computação gráfica.
O empenho em criar um visual fotorrealista acabou por atenuar o vigor das cores tropicais presentes na animação, além de limitar a expressividade das criaturas marinhas e do próprio oceano, reduzindo o impacto gráfico que antes garantia a imersão na história.
Trilha Sonora
A preservação das composições originais criadas por Lin-Manuel Miranda atua como o principal sustentáculo do ritmo da narrativa, garantindo momentos de familiaridade e engajamento.
O grande destaque musical, contudo, reside na introdução da faixa inédita “Along The Way”, inserida para marcar o ponto de maior incerteza da protagonista.
A sequência ganha dimensão emocional ao estruturar um dueto entre a voz da intérprete original do desenho, Auliʻi Cravalho, e a nova protagonista, Catherine Lagaʻaia, culminando com a entrada de Dwayne Johnson para selar a mudança de postura da personagem em sua jornada.
Conclusão
Moana cumpre o papel de oferecer um entretenimento agradável durante a sua exibição, amparado por um trabalho de bastidores visualmente cuidadoso e atento ao respeito cultural. No entanto, a produção não consegue alcançar o mesmo nível de encanto e permanência na memória que marcou o longa de 2016.
A opção por uma reprodução cautelosa, sem espaço para novos caminhos narrativos, faz com que o projeto funcione como uma experiência passageira, mantendo a versão animada original como a referência definitiva da história.
Moana está em cartaz nos cinemas.

