Extermínio: O Templo dos Ossos é o quarto longa-metragem da franquia de terror e ficção científica iniciada em 2002. Sequência direta de Extermínio: A Evolução (2025), a obra integra a nova trilogia planejada por Danny Boyle e Alex Garland para revitalizar a saga. Distanciando-se do estilo frenético e visualmente caótico de Boyle, Nia DaCosta adota uma direção mais contida e atmosférica, priorizando o suspense psicológico e a força das interpretações. A performance de Ralph Fiennes surge como o grande destaque, especialmente no clímax da produção. O filme encerra-se deixando ganchos evidentes para a conclusão da trilogia, que deverá contar novamente com a direção de Danny Boyle.
Sinopse
Situado décadas após a disseminação inicial do vírus da raiva, o enredo acompanha o Dr. Kelson (Ralph Fiennes), um cientista que vive isolado em um santuário macabro construído com restos mortais. Ali, ele conduz experimentos ambíguos em busca de uma cura para a humanidade. A paz precária de seu refúgio é estilhaçada pela chegada de Jimmy Crystal (Jack O’Connell), líder de uma facção impiedosa que transforma o local em um campo de batalha físico e psicológico. Enquanto os infectados espreitam nas sombras, o filme explora o colapso moral dos sobreviventes e a luta desesperada pela sanidade em um contexto onde a barbárie humana se tornou mais letal que a própria patologia.
A ascensão do Dr. Kelson
Embora tenha sido uma figura relevante no filme anterior, Dr. Kelson não passava de um coadjuvante eficiente. Neste novo capítulo, ele assume as rédeas da narrativa como protagonista absoluto. O personagem está no centro de uma discussão profunda sobre o embate entre ciência e barbárie. O isolamento prolongado o transformou: sua sanidade é questionável e sua (possível) crueldade transparece no monumento fúnebre que ergueu. Ainda assim, Kelson representa a última fagulha de bom senso. Sua benevolência pode resgatar o que resta de humanidade ou selar, de vez, o seu destino.
A performance magistral de Ralph Fiennes
A interpretação de Ralph Fiennes é, sem dúvida, o ápice da obra. Ele dá vida a um médico excêntrico e melancólico, cuja pele apresenta um tom alaranjado devido ao uso contínuo de iodo como barreira contra o vírus. O ator equilibra com maestria a urgência humanitária do cientista com a demência de um homem confinado em um ossuário. Nos instantes finais, Fiennes entrega um desfecho arrebatador que mantém o espectador em transe. Vê-lo atuar ao som de The Number Of The Beast, do Iron Maiden, já se consagra como um dos grandes momentos cinematográficos de 2026. Uma atuação inesquecível.
Um antagonista repulsivo
Em contrapartida ao Dr. Kelson, Jack O’Connell entrega um Jimmy Crystal visceral. Se o primeiro ainda preserva empatia, o segundo é a personificação do mal. Crystal representa a desumanidade com contornos surrealistas. Sua facção exibe uma estética satírica e grotesca, destoando do ambiente em que vivem. Ele simboliza a deturpação cultural e religiosa de uma geração que cresceu sob os horrores do apocalipse. Suas cenas provocam um desconforto profundo, reforçando a tese de que o ser humano consegue ser mais aterrorizante que qualquer doença.
A direção de Nia DaCosta
A direção de Nia DaCosta (A Lenda de Candyman) marca uma ruptura estética corajosa. Substituindo as câmeras digitais de movimentos bruscos por uma abordagem meticulosa, DaCosta utiliza planos longos e uma cinematografia que exalta a beleza melancólica da desolação britânica. A cineasta equilibra horror visceral com um humor ácido, visível na caracterização quase carnavalesca dos vilões. Ao elevar as atuações a um patamar operístico, ela entrega um filme com identidade própria, consolidando-se como uma das vozes mais potentes do terror contemporâneo.
Conclusão
Extermínio: O Templo dos Ossos é o meu favorito da franquia. Ele transita entre o emocional e o filosófico sem abandonar o terror que a consagrou. É, possivelmente, o capítulo mais maduro da saga até aqui. Para os fãs, a experiência é obrigatória. Com um final que prepara o terreno para o encerramento da trilogia, cresce a expectativa pelo retorno de Danny Boyle na direção e pela volta de Cillian Murphy ao protagonismo. O desfecho desta jornada promete ser grandioso.
Extermínio: O Templo dos Ossos estreia nos cinemas em 15 de janeiro.

