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Morra, Amor, um filme que terá reações bem divisivas do público

Morra, Amor é um novo drama psicológico que traz a diretora Lynne Ramsay (Precisamos Falar Sobre o Kevin) de volta à tela grande para adaptar o brutal romance homônimo da escritora argentina Ariana Harwicz. Estrelado pela dupla formada por Jennifer Lawrence (O Lado Bom da Vida) e Robert Pattinson (Batman), e contando com o peso na produção de Martin Scorsese, o longa mergulha intensamente nas profundezas da mente humana. Elogiado por sua estética impactante e direção implacável, Morra, Amor foi um dos destaques em festivais este ano, recebendo 17 indicações, incluindo prêmios importantes do Festival de Cannes, e gerando grandes expectativas sobre as performances de seus protagonistas.

Sinopse

Grace (Jennifer Lawrence) é uma jovem mãe e aspirante a escritora que, após o nascimento do seu primeiro filho, se muda com o marido Jackson (Robert Pattinson) para a casa de infância dele em uma isolada área rural. Longe do seu ambiente e do ideal romântico da maternidade, Grace é consumida por uma intensa e devastadora crise de depressão pós-parto que rapidamente evolui para uma psicose. A obra é um mergulho cru e profundo em seu colapso mental, explorando o peso do isolamento, a deterioração de seu casamento e a aspereza de sua experiência com a saúde mental materna.

Boa direção e atuação

Não considerei este filme de fácil absorção. Tinha ideia sobre o todo, mas em muitos momentos a realidade sobre os fatos me parecia imaginação. A diretora Lynne Ramsay orquestra momentos chocantes e a construção da claustrofobia que não foi feita para ser pano de fundo, mostra a manifestação visual do psicótico de nossa personagem central, criando sensações que incomodam o espectador. Nesse isolamento da protagonista é que vemos a performance de Jennifer Lawrence florescer de forma brutal e crua. As paletas quentes e frias nos dão a ideia dessa mente fragmentada, e a atriz mostra isso com uma atuação que vai além do drama. Ela incorpora toda a depressão pós-parto junto com a paranoia e faz com que o público seja cúmplice da loucura da personagem, sentindo o peso disso diretamente.

Tratamento da saúde mental materna

Um ponto positivo é que a depressão pós-parto não é abordada de modo melodramático ou que seja facilmente superada com algumas pessoas dizendo que isso é algo normal. A chegada do bebê não é romantizada em nenhum momento, apesar de ser o único elo que mantenha a sanidade de Grace ainda ativa. Não existe a “mãe perfeita” nessa história, o que vai de total desencontro com o ideal cultural sobre a divindade que é ser mãe. Quando mergulhamos na mente de Grace, identificamos o isolamento imposto que a faz sofrer em silêncio e a falta de uma estrutura de apoio. Ela já possui uma energia caótica por si só, e quase selvagem, quando fica exposta a estes problemas sua natureza a leva a atitudes das quais nem ela mesma entende.

O sentimento de isolamento e solião

O cenário onde a história se passa está longe de ser um pano de fundo passivo. O lugar catalisa e intensifica o colapso de Grace. A mudança para a casa de infância do marido, localizada em uma área rural isolada, simboliza a distância entre a protagonista e sua vida anterior, que aparentemente se desenvolvia em uma área mais urbana. A falta da vitalidade de grandes centros torna a paisagem monótona, e a casa, em vez de ser um refúgio, transforma-se em uma câmara de opressão claustrofóbica. Seu marido fica muito tempo fora trabalhando, e essa sensação de isolamento amplifica a solidão de Grace e a torna vulnerável à sua própria mente, fazendo com que o ambiente contribua ativamente para sua paranoia e psicose. Espere por altos graus de loucura que farão o público se indagar o porquê de certas atitudes.

Conclusão

Morra, Amor, definitivamente, não é um filme fácil e provavelmente será bem divisivo entre o público. Particularmente, não me agradou no todo. Porém, ele é bastante corajoso e sai facilmente do óbvio, o que torna essa experiência minimamente válida. A direção de Lynne Ramsay junto com a atuação selvagem de Jennifer Lawrence é um dos grandes destaques. A atriz mostra o motivo de ser uma das melhores de sua geração. O resto do elenco é competente e ajuda bastante para o desenrolar desta história. Indico para os fãs de dramas psicológicos intensos. As pessoas podem até não gostar, mas terão experimentado sensações que vão mexer com elas em diversos momentos.

Morra, Amor estreia nos cinemas em 27 de novembro.

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