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A Fortuna de Escobar transforma boa lenda real em suspense ruim

Crítica | A Fortuna de Escobar transforma boa lenda real em suspense ruim

A Fortuna de Escobar (título original: Escobank) é um longa-metragem norte-americano de ação e suspense dirigido por Orit Sher. A diretora também assina o roteiro em colaboração com Yaron Nativ e Sharon Shaked, contando ainda com o crédito de codireção de Marco de Aguilar em determinados mercados.

A produção cinematográfica se fundamenta nas narrativas populares a respeito das expressivas quantias financeiras ocultadas pelo narcotraficante Pablo Escobar em regiões de mata na Colômbia. O roteiro utiliza esse pano de fundo para estruturar um enredo focado nas relações de ganância e conflito entre seus personagens. No mercado brasileiro, o filme passa a integrar o catálogo da plataforma de streaming Adrenalina Pura+ a partir do dia 2 de julho.

Sinopse de A Fortuna de Escobar

Um grupo de criminosos, ex-detentos e veteranos desesperados por dinheiro une forças sob o comando de Avi Haddad (Zohar Liba), o infame “Príncipe do Crime” de Miami.

Juntos, eles partem em uma perigosa expedição até a Colômbia. O objetivo do grupo é localizar barris cheios de dólares enterrados pelo lendário narcotraficante Pablo Escobar nas densas selvas de Medellín, próximo a um local sombrio conhecido como Vila dos Herdeiros.

Expectativa vs. Realidade: A maior decepção do ano

A obra se posiciona, infelizmente, como uma das experiências cinematográficas menos satisfatórias do ano, frustrando as expectativas inicialmente geradas em torno de sua exibição.

Essa percepção negativa se torna ainda mais evidente quando se contrasta o prestígio da distribuidora responsável pelo projeto na América do Norte, a tradicional Samuel Goldwyn Films, com o resultado apresentado na tela. A discrepância entre o histórico de qualidade associado ao selo de distribuição e a condução amadora da produção resulta em uma experiência de visualização consideravelmente difícil e desgastante para o espectador.

Elementos históricos e a barreira do idioma

A forte presença de profissionais israelenses no elenco encontra respaldo em um elemento histórico real: o envolvimento de instrutores e cidadãos de Israel no treinamento de equipes a serviço do Cartel de Medellín durante a década de 1980.

Contudo, essa tentativa de trazer um panorama cosmopolita prejudicou o andamento da narrativa. A produção traz a exigência de que atores de diferentes nacionalidades, como os espanhóis Harlys Becerra e Rodrigo Poisón, atuassem predominantemente na língua inglesa.

O resultado na tela: O idioma forçado engessou o desenvolvimento dos diálogos, gerando interações artificiais que transmitem ao espectador a incômoda sensação de que as falas foram inteiramente dubladas na pós-produção.

Direção fraca e problemas nos bastidores

Nos bastidores, a colaboração entre a diretora Orit Sher e o protagonista Zohar Liba, que são casados na vida real, não se traduziu em um diferencial positivo para a produção. Embora seja possível notar o esforço da equipe em cena, a parceria familiar não conseguiu transpor essa dedicação para fora dela. Dessa forma, deixa a impressão de que faltou muito além de mero entrosamento.

Além disso, a condução geral e o roteiro se situam em um nível muito abaixo do esperado. As deficiências estruturais de ritmo, transição e posicionamento de câmera evidenciam limitações de ordem técnica que superam as justificativas comuns ligadas à escassez de recursos.

Elenco principal entrega atuações apáticas

O desempenho do elenco compromete seriamente o desenvolvimento da narrativa. Os principais problemas se concentram nos protagonistas:

  • Avi Haddad (Zohar Liba): A construção do protagonista falha ao tentar estabelecer a figura de um anti-herói. Em vez disso, o personagem é apresentado de forma canastrona, carecendo do carisma necessário para que o público desenvolva algum tipo de empatia ou interesse por sua jornada.

  • Sandy Ross (Dana Frider): A atuação de Dana como a advogada se mostra apática e sem o vigor exigido pela situação, não traduzindo sua expressividade em uma interpretação convincente.

O resultado é ainda mais decepcionante quando se considera o prestígio e a carreira reconhecida que ambos os atores possuem em seu país de origem. Isso evidencia que as falhas individuais decorrem diretamente de uma condução de elenco deficiente por parte da direção.

Conclusão: Vale a pena assistir?

A Fortuna de Escobar se encerra de forma insatisfatória ao subutilizar uma premissa inicial que possuía evidente potencial. A rica narrativa histórica e popular sobre o dinheiro escondido por Pablo Escobar em território colombiano serve aqui apenas como um pretexto genérico para a ambientação de um suspense claustrofóbico de baixo impacto técnico.

Embora o plot twist final consiga solucionar de maneira lógica uma inconsistência grave apresentada anteriormente no roteiro, o recurso é inserido tardiamente na projeção. A reviravolta se mostra incapaz de reverter os problemas estruturais acumulados ao longo da obra ou de evitar o colapso geral da produção. Mesmo assim, a história pode entreter quem procura apenas uma distração rápida e não está esperando por primor técnico.

Serviço: A Fortuna de Escobar estreia no Adrenalina Pura+ em 02 de julho.

Pôster de A Fortuna de Escobar

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