Era Uma Vez Minha 1ª Vez é uma adaptação direta do livro homônimo publicado por Thalita Rebouças (Ela Disse, Ele Disse) em 2011. Sob a direção de Cláudia Castro (Trago Seu Amor) e com roteiro assinado pela própria autora em parceria com João Paulo Horta (Agentes Muito Especiais), o longa-metragem retrata as transformações do amadurecimento juvenil por meio das experiências individuais e coletivas de um grupo de amigas em fase escolar. A narrativa utiliza a busca da primeira relação sexual como fio condutor para examinar as inseguranças, o companheirismo e as diferentes etapas de crescimento de cada personagem.
Sinopse
A primeira vez não costuma ser exatamente como a gente espera. Especialmente se a gente espera demais. As amigas centrais da trama têm pressa e decidem criar um pacto: perder a virgindade antes da noite de formatura do colégio. Só esqueceram de um pequeno detalhe: os tempos não são iguais para todas. Conforme a data se aproxima, a ansiedade individual coloca à prova as certezas que cada uma imaginava ter sobre o próprio corpo e o amor. Nessa corrida contra o relógio, elas descobrem que a verdadeira maturidade está em respeitar o próprio ritmo, mantendo a união acima de qualquer cobrança.
Evolução Narrativa
A narrativa inicia com uma abordagem despretensiosa, sustentada pelo clichê do pacto de formatura entre o grupo de amigas. Contudo, essa premissa aparentemente simples funciona como mero ponto de partida para um desenvolvimento mais amplo. Em vez de recorrer a piadas fáceis sobre sexo, o roteiro utiliza a quebra de expectativa e os imprevistos da vida real para aprofundar os dilemas das personagens. À medida que os planos iniciais falham e o grupo enfrenta frustrações individuais, a história ganha substância, transformando a busca pela primeira experiência sexual em um exame sobre aceitação dos próprios limites e valorização do apoio mútuo.
Atuações e Química
A dinâmica do longa-metragem encontra sustentação na atuação conjunta de Letícia Braga (Teresa), Duda Matte (Patty), Castorine (Clara) e Lívia Silva (Tuca). A espontaneidade demonstrada em cena confere credibilidade à amizade do quarteto, estabelecendo a relação entre as garotas como o refúgio onde vulnerabilidades e incertezas são divididas. Essa cumplicidade, no entanto, passa por momentos de tensão quando os dilemas pessoais de cada uma impedem a atenção aos problemas do grupo, gerando um distanciamento temporário. É a partir do enfrentamento desses conflitos individuais que a relação é testada, culminando na reaproximação das amigas e no fortalecimento definitivo dos laços que as unem.
Abordagem Temática
A presença de Thalita Rebouças na elaboração do roteiro assegura um olhar empático e distante de abordagens moralistas sobre os conflitos da juventude. Ao adaptar o texto literário para a linguagem audiovisual, o projeto prioriza o tratamento maduro e acessível de questões como autonomia, consentimento e descoberta da sexualidade. Em vez de recorrer ao humor apelativo frequente em produções voltadas a esse público, a narrativa foca no respeito ao tempo de evolução de cada indivíduo, traduzindo as ansiedades dessa fase de forma compreensível e natural.
Conclusão
Era Uma Vez Minha 1ª Vez se estabelece como uma comédia adolescente eficiente, cumprindo com transparência sua proposta de oferecer um entretenimento sensível e acessível ao público jovem. Sob o comando seguro de Cláudia Castro e apoiada pelo bom desempenho de seu elenco, a produção aborda a maturidade com empatia. Contudo, ao optar por permanecer dentro de uma zona de conforto narrativa, o longa entrega exatamente o que se espera de uma adaptação do gênero, resultando em um filme correto e agradável, ainda que sem a intenção de se projetar como uma obra inesquecível do cinema nacional.
Era Uma Vez Minha 1ª Vez estreia nos cinemas em 17 de setembro.

