It: Bem-Vindos a Derry estreou como uma ambiciosa produção da HBO que mergulha nas raízes históricas de uma das cidades mais sombrias da ficção, expandindo o universo aterrorizante concebido por Stephen King. Sob a liderança criativa de Andy e Barbara Muschietti, o projeto marca o aguardado retorno de Bill Skarsgård ao papel de Pennywise, trazendo uma abordagem que utiliza o material original dos livros para preencher as lacunas deixadas pelos filmes. Entre conexões surpreendentes com outras obras do autor e uma produção que superou grandes desafios logísticos, a trama se consolida como uma peça fundamental para os entusiastas da mitologia do Maine, explorando o terror cíclico através de uma perspectiva inédita.
Sinopse
Situada na década de 1960, a história acompanha um grupo de jovens que, em meio às tensões sociais da época, começa a investigar uma série de desaparecimentos misteriosos que assolam Derry. À medida que mergulham nos segredos sombrios de seus antepassados e na corrupção local, eles se tornam os alvos principais de uma entidade milenar e metamorfa que emerge a cada 27 anos para se alimentar do medo humano. A obra explora o despertar dessa força maligna sob a forma do palhaço Pennywise (Bill Skarsgård), forçando os protagonistas a enfrentarem traumas pessoais e coletivos antes que o ciclo de violência consuma toda a comunidade.
Contexto e produção
Esta produção é uma prequela dos filmes It: A Coisa (2017) e It: Capítulo Dois (2019), ambos dirigidos por Andy Muschietti. Se você nunca os viu, interrompa a leitura, assista-os e depois retorne aqui. A permanência da mesma equipe criativa garante que a atmosfera de Derry permaneça intacta, agora com o selo de qualidade “premium” da HBO. Além disso, o retorno de Bill Skarsgård como o odiado (e amado) Pennywise é um dos pontos altos. É importante destacar que ele não surge como uma repetição do que já vimos. O ator demonstra evolução, explorando novas facetas da criatura e consolidando-se como a face definitiva do medo na franquia.
Ambientação histórica nos anos 60
Ao situar a trama em 1962, a produção utiliza o cenário da Guerra Fria e das tensões raciais nos Estados Unidos para dar profundidade ao horror. O grande foco neste período específico é o incêndio do Black Spot, um evento traumático retirado diretamente das páginas de King. Este acontecimento serve como o catalisador perfeito para mostrar que o mal em Derry não reside apenas no sobrenatural, mas também no preconceito e na crueldade humana. Essa abordagem transforma a cidade em uma extensão do próprio monstro, onde o ódio sistêmico alimenta a fome de Pennywise, tornando o terror muito mais palpável e socialmente relevante.
Expansão da mitologia
Para os fãs do “Kingverso”, o desenvolvimento da mitologia é um dos pontos altos. O roteiro mergulha nos interlúdios históricos que o cinema não teve tempo de explorar, revelando as origens da entidade e sua chegada à Terra. A série também apresenta Bob Gray, a identidade humana que a criatura assume ao notar que a figura de um palhaço era eficaz para atrair crianças. Além disso, há a inclusão estratégica de personagens como o jovem Dick Hallorann (Chris Chalk), que estabelece uma ponte fascinante com O Iluminado, confirmando que o “Iluminar” (ou “Brilho”) é peça fundamental no combate às trevas. Essas referências, que incluem acenos sutis à Torre Negra e à tartaruga Maturin, transformam o seriado em um epicentro para o universo expandido do autor.
Equilíbrio entre o drama e o horror psicológico
O formato episódico permite um equilíbrio maior entre o drama, o desenvolvimento de personagens e o horror gráfico. Ao focar na família Hanlon e em um novo grupo de jovens, a narrativa ganha espaço para construir traumas de forma gradual, tornando os ataques de Pennywise muito mais impactantes emocionalmente. Diferente do cinema, que muitas vezes depende de sustos rápidos (jump scares), Bem-Vindos a Derry investe no suspense psicológico, o que eleva a obra de um slasher sobrenatural para um estudo sombrio sobre a memória e o legado do mal.
Conclusão
It: Bem-Vindos a Derry encerrou sua estreia como uma das melhores produções seriadas de 2025. Ela vai além de uma simples prequela ao provar que o verdadeiro horror de Stephen King não reside apenas nos sustos, mas nas cicatrizes profundas de uma sociedade doente. Com um veredito amplamente positivo, a série equilibra o fan service de alto nível com uma narrativa que preenche lacunas mitológicas de forma magistral. Ao final da temporada, fica evidente que a obra é indispensável tanto para os entusiastas da franquia cinematográfica quanto para os leitores ávidos. E a jornada sombria não acaba aqui: com mais duas temporadas confirmadas, novos períodos históricos ainda serão explorados.
It: Bem-Vindos a Derry já se encontra completa no catálogo da HBO Max.

