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Marty Supreme, traz um Timothée Chalamet genial, mas insuportável

Marty Supreme é um dos filmes mais comentados do início de 2026, marcando o retorno do diretor Josh Safdie (Joias Brutas) e trazendo Timothée Chalamet no que muitos críticos consideram o papel mais impactante de sua carreira. O longa não apenas celebra o aguardado retorno de Gwyneth Paltrow aos cinemas e a estreia de Tyler, the Creator como ator, mas também se destaca por uma trilha sonora anacrônica e preparações intensas que levaram Chalamet a dominar o tênis de mesa em nível profissional. A produção transborda uma energia frenética e caótica que desafia as convenções das cinebiografias tradicionais ao narrar a jornada do protagonista de Nova York até Tóquio.

Sinopse

O filme narra a trajetória vertiginosa de Marty Mauser (Timothée Chalamet), um carismático vigarista e vendedor de sapatos na Nova York dos anos 1950 que descobre um talento extraordinário para o tênis de mesa. Em uma jornada turbulenta que o leva das ruas movimentadas da América até os palcos competitivos do Japão, Marty tenta transformar o esporte em um espetáculo de entretenimento e lucro, enquanto lida com sua própria arrogância, adversários implacáveis e as tentações de um submundo de apostas e fama.

O desafio da empatia

Sei que esta obra é uma das mais comentadas da temporada. A crítica em geral amou, mas vou um pouco na contramão. Calma, não direi que o filme é ruim ou que não mereça ser visto. Ele é bom, mas não considero “tudo isso” que estão pintando. Meu maior problema foi tentar me afeiçoar a um protagonista completamente antipático. Ele não pertence àquele grupo de personagens que começa errado e evolui até o fim. Marty é, em essência, odiável. Todas as suas escolhas são equivocadas e o distanciamento pelo personagem cresce até o desfecho. Sinto que a intenção era gerar certa empatia, ao menos no clímax, mas não senti que o personagem fizesse jus a esse sentimento.

A atuação de Chalamet

Não há dúvidas de que Timothée Chalamet entrega uma performance transformadora, desafiando sua imagem de “galã melancólico”. Como Marty Mauser, o ator adota uma postura física rígida e uma fala acelerada, capturando perfeitamente a essência de um homem movido pela soberba e pela necessidade constante de validação. O grande trunfo de Chalamet é equilibrar o magnetismo de um vigarista nato com as fissuras de um ego inflado, fazendo com que o público flutue entre a admiração pelo seu talento técnico e a repulsa causada por sua personalidade abrasiva. Embora haja muitos pontos positivos, ainda hesito em dizer que seja a interpretação definitiva de sua vida.

Direção e estética visual

O destaque máximo da produção vai para a direção de Josh Safdie, que mantém um ritmo elétrico do início ao fim. As sequências das partidas de tênis de mesa são primorosamente coreografadas e nos conferem um dinamismo incrível, transformando um esporte potencialmente monótono em um duelo cinematográfico de alta tensão, onde cada movimento da raquete possui o peso de um disparo. Também vale destacar o modo como Safdie filma Nova York: em vez de uma cidade glamourizada e nostálgica, ele apresenta um cenário pulsante e “suja”, capturando a aura de um universo onde só sobrevive quem for mais astuto.

A anatomia da obsessão

O longa sugere ser a cinebiografia de um esportista renomado, mas acaba se revelando um estudo profundo sobre o preço da obsessão. A arrogância de Marty transborda a níveis insuportáveis. Antes mesmo de provar ao público sua real competência, ele se coloca na narrativa como um “deus” do tênis de mesa. Ainda no primeiro ato, ao notar que não é tão imbatível quanto imaginava e sofrer uma derrota humilhante para um rival japonês, ele ignora qualquer caminho de redenção ou humildade. Em vez disso, torna-se ainda mais obstinado, cometendo erros crassos para provar sua superioridade. Para mim, o final não condiz com a jornada percorrida, deixando a dúvida se ele realmente merecia algum reconhecimento.

Conclusão

Marty Supreme não é uma biografia comum. Ele transcende o rótulo de filme esportivo para se tornar um estudo de personagem sobre a natureza da genialidade. Seus maiores méritos residem na parte técnica, principalmente na direção de Josh Safdie, que entrega um espetáculo visual enquanto critica a cultura do estrelismo. O trabalho de Timothée Chalamet reafirma sua versatilidade e, talvez, o meu “ranço” pelo personagem seja o maior elogio à sua atuação pontual. Sob essa ótica, ele está, sim, brilhante no papel.

Marty Supreme estreia exclusivamente nos cinemas em 22 de janeiro.

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