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Mestres do Universo diverte, mas exagera nas piadas

Mestres do Universo é a nova produção em live-action da Amazon MGM Studios dirigida por Travis Knight, cineasta conhecido por trabalhos como Kubo e as Cordas Mágicas (2016) e Bumblebee (2018). Após passar anos em desenvolvimento em Hollywood e quase ser cancelado pela Netflix, o projeto foi levado para as telas dos cinemas, resgatando a identidade original da franquia surgida nos anos 1980. O longa-metragem desponta como um dos principais blockbusters do período e conta com um elenco expressivo liderado por Nicholas Galitzine no papel do Príncipe Adam/He-Man e Jared Leto como o vilão Esqueleto, acompanhados por Camila Mendes, Idris Elba e Alison Brie, em uma estrutura planejada para dar início a uma potencial franquia cinematográfica.

Sinopse

Aos 10 anos de idade, o Príncipe Adam (Nicholas Galitzine) caiu na Terra para fugir do vilão Esqueleto (Jared Leto) e acabou separado de sua espada mágica, o único elo com sua casa em Eternia, em sua chegada. Após passar quinze anos procurando por ela, Adam a encontra e logo forças aliadas e inimigas vêm ao seu encontro. Com isso, ele é transportado de volta pelo espaço para defender seu planeta natal contra as forças malignas que conquistaram Eternia. Mas para derrotar um vilão tão poderoso como Esqueleto, Adam precisará primeiro desvendar os mistérios de seu próprio passado e se tornar He-Man: o homem mais poderoso do universo!

Direção e concepção visual

A condução do diretor Travis Knight se afasta da tendência de Hollywood de produzir algo sombrio e realista, optando por abraçar o visual colorido e exagerado que caracteriza a obra original. Essa escolha reflete a bagagem do cineasta como entusiasta da franquia, que também se manifesta no bom uso de próteses reais e criaturas espalhafatosas que remetem diretamente ao universo dos brinquedos da Mattel. O longa-metragem busca referências diretas na fantasia espacial do filme de Flash Gordon (1980), combinando efeitos práticos com batalhas visualmente bem construídas. Essa coragem em assumir um tom deliberadamente caricato e extravagante funciona como o principal diferencial da produção, se apresentando como o elemento com maior potencial para conquistar o público geral.

Trilha sonora e nostalgia

A trilha sonora exerce um grande papel na construção do filme, entregando composições de caráter heroico e empolgante que elevam o tom épico. O arranjo musical consegue inserir, em certas passagens, a clássica melodia da animação original e coloca, em outros instantes, riffs de guitarra marcantes, além de incorporar faixas emblemáticas como “Princes of the Universe”, da banda Queen, e uma nova composição do grupo The Darkness executada durante os créditos. Esse apelo à memória afetiva é reforçado por trechos que dialogam diretamente com o histórico da franquia. Entre esses momentos, se destaca a rápida e descontraída aparição do ator Dolph Lundgren, estabelecendo uma ponte direta com a adaptação cinematográfica de 1987 e enriquece o fator nostálgico para os espectadores veteranos.

Análise do elenco e personagens

Nicholas Galitzine não me convenceu totalmente no papel principal e deixou a desejar, muito embora seu empenho físico e a intensa preparação para o personagem sejam evidentes em tela. Por outro lado, o roteiro o prejudica um pouco com seu texto muitas vezes bobo demais. Em contrapartida, a história busca acrescentar certa profundidade à narrativa por meio do choque cultural vivido pelo Príncipe Adam. O texto estabelece um contraste bem-definido entre a formação humana do protagonista na Terra, pautada pela empatia e pela comunicação dialógica, moldada de forma irônica por sua experiência em Recursos Humanos, e as exigências tradicionais e severas de força e autoridade impostas por seu pai e pelo Mentor.

O tom cômico e falhas no roteiro

O principal ponto negativo da produção reside no excesso de alívios cômicos, manifestado em uma insistência por piadas que prejudica a imersão e esvazia o impacto de sequências que demandavam maior seriedade ou peso dramático. Essa abordagem reflete na unificação inadequada das personalidades do protagonista. Diferentemente da animação original, na qual existia uma clara distinção entre a postura descompromissada do Príncipe Adam e o comportamento sóbrio de He-Man, o longa-metragem elimina essa diferença ao estender o tom jocoso a ambas as facetas. Além disso, a estrutura narrativa apresenta fragilidades e furos de roteiro perceptíveis, especialmente no que concerne ao desenvolvimento dos anos em que Adam permaneceu exilado na Terra.

Os acertos da comédia

Algumas boas piadas funcionam e garantem momentos divertidos à narrativa, com destaque para a graça presente nas risadas exageradas e tipicamente vilanescas dos personagens, lideradas pela atuação de Jared Leto como Esqueleto. O roteiro também demonstra criatividade ao oferecer soluções interessantes para a mitologia da franquia, como a inteligente justificativa de que os nomes exóticos de figuras como Aríete, Fisto e Mecaneck surgiram a partir de apelidos de infância criados pelo próprio Príncipe Adam. Outro acerto marcante na comédia reside na subversão do segredo do protagonista: o fato de todos ao seu redor já terem conhecimento de sua identidade heroica transforma a necessidade de Adam de se esconder para realizar a transformação em uma piada eficaz.

Conclusão

Mestres do Universo entrega um saldo que, apesar de apresentar ressalvas quanto ao excesso de alívios cômicos que prejudicam a imersão em momentos-chave, possui os atributos necessários para alcançar uma recepção favorável junto ao grande público. A produção encerra sua narrativa projetando o futuro desse universo ficcional por meio de três cenas pós-créditos estrategicamente posicionadas. Essas inserções de encerramento cumprem funções distintas ao introduzir uma figura bastante estimada pelos entusiastas da franquia, sinalizar o desenvolvimento de uma continuação em larga escala e, por fim, revelar que as forças antagônicas não foram completamente eliminadas. Dessa forma, fica estabelecido os fundamentos para o desdobramento da franquia nos cinemas.

Mestres do Universo estreia nos cinemas em 04 de junho.

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