“PINÓQUIO”
Pinóquio (2026) é uma produção russa dirigida por Igor Voloshin (Senhor do Vento) e distribuída no Brasil pela Paris Filmes. Ele se apresenta como um musical de fantasia baseado na obra de Alexei Tolstoy, que adapta a clássica narrativa de Carlo Collodi com variações culturais e roteiro assinado por Aksinya Borisova, Andrey Zolotarev e Alina Tyazhlova. O projeto se destaca pelo investimento em ambientação, utilizando cenários inspirados em cidades tradicionais da Itália e figurinos elaborados por Nadezhda Vasilyeva para compor o universo da obra, mas que acaba por ser uma releitura frágil do grande clássico.
Sinopse
Após encontrar uma chave mágica capaz de abrir uma porta misteriosa, o carpinteiro Gepeto (Aleksandr Yatsenko) recebe o direito a um desejo e escolhe ter um filho. O pedido é concedido e aplicado a um pedaço de madeira, que depois de esculpido dá vida ao protagonista. Assim que ganha consciência, o pequeno boneco embarca em uma jornada para compreender sua nova natureza. Em meio a perigos e descobertas, se dá início a uma série de inúmeras aventuras. Nesta versão, a coragem do personagem é testada enquanto ele busca transformar sua existência de madeira em uma vida genuinamente humana.
A variante de Alexei Tolstoy
Diferente da narrativa original do italiano Carlo Collodi, esta adaptação se baseia na obra A Chave de Ouro, de Alexei Tolstoy. Isso explica as variações estruturais apresentadas na tela, como a substituição do tradicional Grilo Falante pelas baratas Alessandro, Giovanni e Anton. Essas mudanças conferem um tom distinto ao suporte dado ao personagem principal. Além disso, a trama se centraliza na localização de uma chave dourada destinada a abrir uma passagem oculta na residência de Gepeto, onde qualquer desejo pode ser realizado. Esse detalhe se distancia do caráter puramente educativo da fábula original.
Análise do ritmo e direção
A condução do longa tenta priorizar a magnitude da produção e o impacto visual, mas falha mesmo nesse objetivo. Essa busca por um visual atraente resulta em um ritmo irregular e em passagens com um tom excessivamente simples, voltado estritamente ao público infantil. Ao concentrar esforços na tecnologia de representação do protagonista e no apelo nostálgico, o roteiro negligencia a construção de camadas mais complexas para os envolvidos. Essa escolha compromete o desenvolvimento emocional, entregando uma estrutura didática que privilegia o espetáculo em detrimento de um maior aprofundamento dramático. Não há conexão com nenhum personagem nesta história.
O aspecto musical e a dublagem
Além de ser um conto de fadas para crianças, o filme também é um musical que utiliza composições de Alexey Rybnikov, músico responsável pela trilha sonora da adaptação televisiva soviética de 1975. Embora essa escolha conecte o longa a raízes culturais profundas e apresente novos arranjos para melodias clássicas, a experiência é prejudicada na versão dublada para o português. A tradução das canções não mantém a qualidade necessária, resultando em uma perda considerável da harmonia e do impacto da obra original durante a exibição. Dessa forma, a adaptação para o Brasil compromete um dos pilares da produção, entregando um resultado sonoro que deixa a desejar.
Conclusão
Pinóquio (2026) se apresenta como uma obra direcionada exclusivamente ao público infantil, não conseguindo estabelecer um diálogo com espectadores adultos, seja pelo viés técnico ou pelo apelo nostálgico. O tom excessivamente simplificado da narrativa restringe o alcance do longa, tornando-o uma experiência limitada a crianças pequenas. Os recursos visuais e as atuações não oferecem substância suficiente para justificar a produção, que termina por ser um espetáculo vazio. Assim, o resultado final entrega pouco valor cinematográfico, podendo não satisfazer plenamente nem mesmo o público ao qual se destina. Talvez tenha feito sucesso apenas na Rússia por um provável sentimentalismo local.
Pinóquio (2026) estreia nos cinemas em 16 de abril.

