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Crítica: ‘O SEQUESTRO DO VOO 375’ é um bom blockbuster nacional

Sempre me perguntei porque o Brasil raramente faz um filme pensando em ser um blockbuster. Temos boas comédias e filmes como ‘Cidade de Deus’ (2002) e ‘Tropa de Elite’ (2007) que chegaram a esse patamar, e isso é muito pouco. Geralmente, temos filmes ótimos minimalistas com pouco custo e que dão certo, mas acho que já temos cacife para alçar voos mais altos. ‘O Sequestro do Voo 375’ chegou para tentar mudar isso e, na minha opinião, temos em mãos um ótimo exemplar de sucesso para o público. Desde já, torço para vingar bem nos cinemas.

Sinopse

O ano é 1988, o Brasil vive uma das maiores crises econômicas da história e o então presidente José Sarney não consegue prover boas condições de vida ao povo brasileiro. Nesse cenário, conhecemos Nonato (Jorge Paz), um tratorista desempregado que não consegue colocar comida em casa. Revoltado, ele sequestra o avião da VASP 375 com mais de 100 passageiros e decide tacar o avião em pleno Palácio do Planalto para matar o presidente. O único que pode evitar tal tragédia é o piloto experiente Murilo (Danilo Grangheia).

História real

Tudo o que acontece aqui é baseado em uma história real não muito difundida por aí. Tudo bem que faz tempo, mas não lembro de ter ouvido falar nesse caso. No final do longa, durante os créditos, vemos a reportagem no Jornal Nacional com Cid Moreira no comando falando sobre o ocorrido. Acontece tanta coisa “incrível” no longa que cheguei a pensar que boa parte do que vemos em tela é romanceado. Até o final termos a informação de que o piloto fez tudo aquilo mesmo. Fiquei simplesmente de boca aberta com essa informação e bati palmas discretas durante a projeção.

Ótimas cenas de ação

Tem duas cenas que realmente são incríveis e dá para notar o cuidado que a produção teve com elas. Fica claro que são momentos chaves. Se dessem errado, todo o filme seria descredibilizado. Elas são realmente para deixar o expectador nervoso e incrédulo com o que está vendo. Um ótimo momento que não deixa dever em nada a grandes produções hollywoodianas. Como nem tudo é perfeito, notei uma pequena falta de esmero no CGI no momento do pouso do avião. Dá pra notar de cara que faltou uma caprichada ali.

Críticas sociais

Temos todo esse sequestro ocorrendo como trama principal, mas também temos muita crítica ocorrendo em background. O próprio sequestrador não está ali porque ele é mal e pronto, ele é mais uma vítima do sistema em que o pobre é o primeiro a arcar com as consequências. Qual o ponto de se revoltar? Certamente esse momento chegou nele. Em contrapartida, também temos a história do piloto que foi suspenso dois meses sem salário por se opor a regras quase escravistas de sua empresa. Um piloto voava 100 horas semanais e ele só queria baixar para 80. O tempo passou e após uma pesquisada rápida descobri que hoje em dia um piloto só pode voar 44 horas semanais. A luta que começou lá atrás, funcionou, como todas as outras que julgam inúteis por aí.

Conclusão

‘O Sequestro do Voo 375’ é um bom filme para se ver no cinema. O som do avião é daqueles que faz tudo tremer e ver dessa forma é a melhor para apreciar esse esforço nacional de um blockbuster. Como pontos negativos, coloco apenas o CGI mal feito em uma cena e o tom brega que as vezes é adotado. A controladora de voo que ajuda é bem clichê em todas as formas e colocar uma freira dentro do avião também beira a canastrice. Me fez rir alto e algumas soluções com passageiros também chegam nesse nível. Porém, são detalhes que não estragam o todo.

Curiosidade

Quando Osama Bin Laden foi morto em 2011, em seu covil foi achado várias notícias do sequestro do voo 375. Esse detalhe dá a entender que o terrorista pode ter usado essa história real como base para os atentados de 2001 nos Estados Unidos.

‘O Sequestro do Voo 375’ estreia nos cinemas em 07 de dezembro.

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