Dirigido por Corin Hardy (A Freira), que retorna ao gênero, e com roteiro de Owen Egerton (Festival Sangrento), O Som da Morte é uma produção de terror sobrenatural que chega aos cinemas brasileiros por agora. A obra, que recebeu classificação indicativa para maiores de 18 anos devido ao seu conteúdo violento, conta com um elenco encabeçado por Dafne Keen (Logan) e Sophie Nélisse (Yellowjackets), além de nomes como Nick Frost (Todo Mundo Quase Morto) e Michelle Fairley (Game of Thrones). Distribuído pela Paris Filmes, o projeto busca explorar elementos de lendas ancestrais sob uma estética de horror voltada ao público jovem adulto.
Sinopse
O enredo acompanha um grupo de estudantes que, ao encontrar um apito asteca antigo e aparentemente comum, libera um efeito sobrenatural ao soprá-lo. O som do artefato convoca manifestações de suas próprias mortes futuras, que passam a persegui-los de forma implacável no presente. Diante da ameaça inevitável, os jovens precisam desvendar a origem do objeto e encontrar uma maneira de silenciar a maldição antes que o destino previsto se concretize para cada um deles.
Análise técnica e atmosfera
No aspecto técnico, a direção de Corin Hardy opta por um estilo visual que prioriza efeitos práticos, utilizando contorcionistas e próteses para dar vida às manifestações físicas do destino. Essa escolha confere uma textura tátil e orgânica às criaturas, distanciando a fita da artificialidade do CGI excessivo. No entanto, essa sofisticação visual não se traduz em uma construção de suspense eficiente. A narrativa frequentemente falha em criar uma atmosfera de medo genuíno, recorrendo a jump scares genéricos onde o impacto depende exclusivamente do aumento súbito do volume sonoro, recurso que se torna uma muleta cansativa ao longo da projeção.
Atuações e roteiro
A dinâmica do elenco, liderado por Dafne Keen e Sophie Nélisse, é funcional o suficiente para manter o andamento da trama, embora o texto de Owen Egerton não ofereça grandes profundidades. A interação entre os jovens tenta estabelecer o conceito de “morte futura” como uma representação da ansiedade geracional, mas essa intenção é frequentemente preterida em favor de fórmulas convencionais do gênero slasher. Já Nick Frost entrega uma atuação contida e limitada pelo pouco tempo de tela, o que impede que seu humor característico neutralize o tom sisudo da obra e sobrecarrega as protagonistas com a responsabilidade de carregar o peso dramático da história.
Temáticas e referências
O foco central reside no conflito entre o fatalismo e o livre-arbítrio, utilizando a maldição para explorar a sensação de inevitabilidade diante de um destino trágico. Essa premissa serve como pano de fundo para abordar a angústia juvenil, projetando o medo do amanhã através de uma ameaça literal. No entanto, o filme hesita em aprofundar essas questões filosóficas, preferindo manter-se em uma zona de conforto temática que não desafia as convenções do gênero. Um dos poucos pontos que realmente me empolgarama é a incorporação da música Killers, do Iron Maiden, durante os créditos finais, antecipada sutilmente por uma cena em que uma das personagens veste uma camiseta da banda. Ainda assim, é um detalhe ínfimo diante do que se esperava de um título de terror.
Conclusão
O Som da Morte apresenta uma premissa razoável e uma execução técnica correta, mas falha em entregar momentos de horror realmente eficazes. A dependência de picos de áudio para compensar a ausência de uma tensão psicológica mais elaborada resulta em uma experiência que tende a decepcionar quem busca algo além do óbvio. O desempenho do elenco jovem e as referências pontuais conferem certa regularidade à produção, que se consolida apenas como um exemplar de horror convencional, sustentado mais pelo carisma de seus atores do que por sua capacidade de gerar impacto ou medo real.
O Som da Morte estreia nos cinemas em 05 de fevereiro.

